• Flavio Veloso

Rio, Uma Epifania



Matéria assinada (fotografia) para a Viagem & Turismo, Editora Abril. Jan/2011. Arte Ana Claudia Crispim e Gilvan Filho.

(Como fica claro ao longo do texto, esse momento profético foi escrito no início de 2011. Antes dos nossos rotineiros 7x1s atuais)

Com a visita do presidente norte americano, o que antes era teoria começa a virar realidade: pelos próximos 4 anos o Rio entra na pauta. Tomara, mas tomara mesmo, que tenhamos competência para revertermos todo esse obaoba a nosso favor e fazermos, não só o Rio, mas o Brasil, uma das capitais do turismo no mundo. O verbo é fazermos mesmo, não é colocar. Muita coisa precisa ser feita. E não falo só de infraestrutura. Se pararmos de fechar os cruzamentos e jogar lixo no chão, já estaremos andando pra frente.

E como sempre, um pouquinho de bastidores…

Bom, não gosto desse clima 100% politicamente correto de “afrodescendentes” e “comunidades” que vivemos, aonde é desaconselhável ter posições e opiniões bem marcadas (o que logicamente não me dá o privilégio de estar certo). Dito isso, não tenho porque não escrever: eu ODEIO paparazzo. Não a pessoa em si mas é inacreditável o clima que paira no ar durante as pautas na zona sul, especialmente no Leblon. Se o objetivo da pauta for a praia ou as ruas mais importantes, mais complicado ainda. Você é constantemente lembrado de ser persona non grata na região simplesmente porque se você está ali com uma câmera e é automaticamente taxado, mesmo que você esteja ali fotografando gastronomia, publicidade ou simplesmente a paisagem. Vocês acreditam que eu fui praticamente enxotado da praia por um barraqueiro? Pois é…

Queria fazer as fotos do chuveirão e do futvolei. Fui para areia com o equipamento e para amenizar o calor e dar uma sentida no clima ao redor, pedi uma água numa barraca. O barraqueiro me deu uma olhada de cima a baixo e mandou:

“Po, tu é paparazzo?”, cara de poucos amigos ativar. E antes que eu pudesse responder qualquer coisa, virou as costas e foi embora.

Volta ele com a água e eu respondo que não era paparazo e estava ali para fazer umas fotos de símbolos… chuveirão, Dois Irmãos, biscoito Globo, Matte, bunda, futvolei, coisa e tal.

Eu, mané, querendo ser simpático e puxar assunto, fiz a bobeira de perguntar se ali ia muito paparazzo. A cara de poucos amigos potencializou e no maior estilo “segura que a ferradura é nova”, soltou, sem me olhar, que “vinha sim, muito mais do que ele gostaria”!

Fingi não entender o coiçe e reparei que a garrafa de água estava com o lacre rompido. Mostrei para ele. Sem trocarmos uma palavra, ele viu, sem me olhar pegou a garrafa e quando voltava com uma nova, o mané aqui insistiu:

“É meio complicado fazer fotos aqui no Leblon….” e eu ia continuar com “por causa desse clima meio paparazzo que fica no ar… as pessoas acham que você está escondido seguindo alguem… e coisa e tal” mas na hora que eu falei “aqui no Leblon” a coisa ficou pessoal. Parecia ter ofendido a mãe dele. E curto e grosso ele me interrompeu. “Não, não, não… Leblon não. Aqui é Ipanema!”, agora sim, olhando para mim, quase com o dedo em riste…rs

Aí me toquei que estava tomando o terceiro coice num diálogo de três frases trocadas. Ou seja, 100% de aproveitamento!

Devolvi a água fechada, agradeci e falei que iria procurar uma barraca com alguem menos mal humorado. Aprendendo com a escola dele, virei as costas e fui embora sem “mas”… sem dar tempo dele falar nada… como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Quando me afastava passei por uns “mateiros” reunidos, esses sim, carioquissimos, que perguntaram se eu queria um mate (quem me conhece sabe a resposta...rs). Parei, fiquei tomando um mate e papo vai papo vem expliquei para eles o que estava fazendo ali. Pronto, os caras se transformaram. E de mateiros viraram produtores! Começaram um debate entre eles para ver quais eram os sí­mbolos da praia e eles mesmo se encarregavam de chamar e explicar do que se tratava. “Ô da melancia… ô da melancia….vem cá sair na revista”. Iam buscar e explicar a pauta "pro da melancia"


Abaixo, um pequena parte dos meus "produtores por um dia e algumas imagens do dia.

Quanto aos paparazos, sei que é um profissão, sei que tem gente que aprova e óbvio que muitos se promovem com eles. Mas me reservo ao direito de simplesmente não gostar da forma como eles escolheram ganhar a vida. Nada contra, nada a favor. Simples assim.

E se for parar nas barracas para um refresco entre os cliques, esconda a câmera. #ficadica

Até a próxima e boas fotos!


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